Contratação de Autônomos x CLT: Como Garantir Segurança Jurídica?

A contratação de autônomos tem se tornado cada vez mais comum no Brasil, principalmente com o crescimento das startups e da economia digital. No entanto, muitas empresas confundem a relação de trabalho autônomo com vínculo empregatício, o que pode gerar riscos jurídicos e processos trabalhistas. Mas como contratar um autônomo sem infringir a legislação?

O que a CLT diz sobre o trabalho autônomo?

A Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) trouxe regras claras sobre a contratação de autônomos, garantindo que um profissional possa prestar serviços de forma independente sem que isso configure vínculo empregatício. Para isso, a empresa deve observar alguns pontos fundamentais:

  • Ausência de subordinação: O autônomo não pode ser subordinado diretamente à empresa, devendo ter autonomia para decidir sua forma de trabalho.
  • Liberdade de horários: Diferente do CLT, o profissional autônomo não pode ter jornada fixa ou controle de ponto.
  • Remuneração por serviço: O pagamento deve ser feito por projeto, tarefa ou período determinado, sem um salário fixo mensal.
  • Formalização do contrato: A relação de trabalho deve ser documentada por um Contrato de Prestação de Serviços, estabelecendo todas as condições da parceria.

Principais riscos da contratação errada de autônomos

Se a empresa não seguir as regras corretamente, o profissional pode ingressar na Justiça do Trabalho pleiteando vínculo empregatício. Os principais erros que podem levar a isso incluem:

  1. Exigir cumprimento de horários fixos e exigir login em sistemas internos.
  2. Instruir diretamente o profissional, determinando como e quando ele deve executar o serviço.
  3. Pagamento mensal sem variação de valores, caracterizando um salário disfarçado.
  4. Inserção do autônomo na estrutura hierárquica da empresa, incluindo reuniões obrigatórias e metas de desempenho.

Casos reais e decisões recentes

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) tem reconhecido o vínculo empregatício em diversas ações, mesmo que haja contrato de prestação de serviços. Em um caso recente, uma empresa de tecnologia foi condenada a pagar R$ 120 mil a um desenvolvedor que atuava como autônomo, mas que tinha jornada fixa e recebia ordens diretas de um gestor.

Como evitar processos trabalhistas?

Para contratar um autônomo com segurança, siga estas diretrizes:

Formalize um contrato detalhado, especificando que não há vínculo empregatício.
Evite exigir horários fixos ou controle de ponto.
Não determine como o trabalho deve ser executado, apenas o resultado esperado.
Mantenha um formato de pagamento compatível com o modelo autônomo.
Consulte um advogado trabalhista antes de estruturar sua política de contratações.

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