A rica e diversa vida marinha do Brasil é protegida por um conjunto de leis e regulamentos que visam garantir a conservação das espécies, a preservação dos habitats e o uso sustentável dos recursos marinhos. A legislação brasileira aborda a proteção dos animais marinhos de diversas formas, desde a proibição da pesca de espécies ameaçadas até a criação de áreas marinhas protegidas.
A Constituição Federal, em seu artigo 225, estabelece o dever do Poder Público e da coletividade de defender e preservar o meio ambiente, incluindo a fauna e a flora, tanto terrestres quanto aquáticas. Esse princípio constitucional serve de base para toda a legislação infraconstitucional que trata da proteção dos animais marinhos.
A Lei nº 7.679/88 dispõe sobre a pesca e outras atividades relacionadas aos recursos pesqueiros. Embora essa lei foque na regulamentação da pesca, ela também estabelece medidas de proteção para algumas espécies marinhas, como a proibição da pesca de cetáceos (baleias e golfinhos) em todo o território nacional.
A Lei nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais) é uma das principais ferramentas legais para a proteção dos animais marinhos. O artigo 29 dessa lei tipifica como crime a pesca, a caça, a apanha, a utilização, a matança ou a comercialização de espécies da fauna silvestre, nativas ou exóticas, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente. Essa disposição se aplica a diversos animais marinhos, como tartarugas marinhas, peixes ameaçados de extinção e outros. A lei também pune os maus-tratos a animais, o que pode incluir a pesca predatória ou a captura de animais em épocas de reprodução.
O Decreto nº 6.514/08 regulamenta a Lei de Crimes Ambientais e estabelece as sanções administrativas para as infrações ambientais, incluindo aquelas relacionadas à fauna marinha. O decreto prevê multas para a pesca ilegal, a destruição de habitats marinhos e outras condutas que prejudiquem os animais marinhos.
O Brasil também possui diversas áreas marinhas protegidas, como os Parques Nacionais Marinhos, as Áreas de Proteção Ambiental Marinhas e as Reservas Biológicas Marinhas. Essas unidades de conservação são criadas com o objetivo de proteger ecossistemas marinhos importantes e a fauna que neles habita. Dentro dessas áreas, podem ser estabelecidas restrições a atividades como a pesca e o turismo, visando garantir a preservação dos animais marinhos e de seus habitats.
Além da legislação nacional, o Brasil é signatário de diversas convenções e acordos internacionais que visam a proteção dos animais marinhos, como a Convenção sobre a Diversidade Biológica e a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES). Esses acordos estabelecem obrigações para o Brasil em relação à conservação da vida marinha e ao combate ao comércio ilegal de espécies ameaçadas.
A fiscalização do cumprimento da legislação de proteção dos animais marinhos é realizada por diversos órgãos, como o IBAMA, a Polícia Federal, a Marinha do Brasil e as Secretarias Estaduais de Meio Ambiente. A atuação desses órgãos é fundamental para combater a pesca ilegal, o tráfico de animais marinhos e outras atividades que ameaçam a vida marinha. A proteção dos animais marinhos é um desafio complexo que envolve a atuação do poder público, da sociedade civil e da comunidade internacional. A legislação brasileira, embora já possua mecanismos de proteção, continua em constante aprimoramento para garantir a conservação da rica biodiversidade marinha do país. Se você se preocupa com a proteção dos animais marinhos e deseja saber mais sobre a legislação ou denunciar alguma irregularidade, pode entrar em contato com os órgãos ambientais competentes ou com organizações da sociedade civil que atuam na área.
