As prisões preventivas em massa, especialmente em contextos de supostas ameaças à segurança nacional, têm gerado intenso debate sobre o respeito às garantias fundamentais. Após eventos de grande repercussão, como os atos antidemocráticos de janeiro de 2023, centenas de pessoas foram presas de forma cautelar, reacendendo a discussão sobre legalidade e proporcionalidade.
O que é prisão preventiva e quando ela é cabível?
Nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal (CPP), a prisão preventiva é medida excepcional, justificada apenas para:
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Garantia da ordem pública ou econômica;
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Conveniência da instrução criminal;
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Assegurar a aplicação da lei penal.
No entanto, quando aplicada de forma genérica, sem individualização das condutas, ela pode se tornar um mecanismo de punição antecipada.
Jurisprudência e críticas da comunidade internacional
Organismos como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e a ONU já criticaram o uso abusivo da prisão preventiva no Brasil. Segundo o STF, a prisão deve ser fundamentada com base em elementos concretos do processo, e não por presunções.
Após os atos de 8 de janeiro, muitas defesas alegaram ausência de provas de autoria ou periculosidade, pedindo substituição por medidas cautelares diversas.
Direitos humanos e risco de banalização do instituto
A prisão preventiva, quando aplicada de forma indiscriminada, viola os princípios do contraditório, ampla defesa e presunção de inocência. O sistema jurídico deve assegurar que o Estado não use o processo penal como instrumento político.
Justiça não pode ser vingança
A gravidade do crime não justifica a suspensão das garantias constitucionais. O Judiciário deve proteger a ordem com responsabilidade.
Segurança nacional não pode justificar arbitrariedades
Preservar o Estado Democrático exige firmeza, mas também respeito inegociável aos direitos fundamentais. Prisões em massa não podem ser atalho para justiça.