O abate de animais para consumo humano é uma prática regulamentada no Brasil, e a legislação busca garantir que esse processo seja realizado de forma humanitária, minimizando o sofrimento dos animais. Embora o objetivo final seja o abate, os animais têm direitos que devem ser respeitados em todas as etapas que antecedem e durante o procedimento. A principal legislação que trata do abate de animais no Brasil é o Decreto nº 9.013/2017, que aprova o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA).
O RIISPOA estabelece diretrizes detalhadas sobre o abate de diferentes espécies animais, como bovinos, suínos, aves, ovinos, caprinos e outros. Um dos principais direitos dos animais em relação ao abate é o direito a serem manejados de forma calma e sem estresse nas instalações do abatedouro. O regulamento exige que os animais sejam conduzidos de maneira a evitar gritos, pancadas, empurrões e outras formas de violência física ou psicológica. As instalações devem ser projetadas para facilitar o fluxo dos animais e evitar aglomerações e situações de pânico.
Outro direito fundamental é o direito à insensibilização prévia ao abate. O RIISPOA determina que todos os animais devem ser submetidos a métodos de insensibilização eficazes antes de serem sangrados. A insensibilização tem como objetivo tornar o animal inconsciente e insensível à dor, garantindo um abate humanitário. O regulamento detalha os métodos de insensibilização permitidos para cada espécie, como o uso de pistolas de dardo cativo, eletronarcose e atmosfera controlada.
Os animais também têm o direito a serem abatidos por pessoal treinado e competente, que conheça os procedimentos corretos de manejo e insensibilização. O RIISPOA exige que os abatedouros possuam programas de treinamento para seus funcionários, abordando temas como bem-estar animal e técnicas de abate humanitário.
Além disso, os animais têm o direito a não serem submetidos a longos períodos de espera antes do abate, especialmente em condições inadequadas. O regulamento estabelece que o tempo de espera deve ser o menor possível e que os animais devem ter acesso a água e descanso enquanto aguardam o abate. As instalações de espera devem oferecer proteção contra as intempéries e superlotação.
O RIISPOA também prevê a inspeção veterinária nos abatedouros, que tem como um dos objetivos verificar o cumprimento das normas de bem-estar animal durante o abate. Os médicos veterinários têm o poder de interditar o abate caso identifiquem práticas que causem sofrimento desnecessário aos animais ou que não estejam em conformidade com o regulamento. Em resumo, a legislação brasileira, principalmente através do RIISPOA, garante diversos direitos aos animais em relação ao abate, incluindo o direito a um manejo calmo e sem estresse, à insensibilização prévia e eficaz, ao abate por pessoal treinado e competente, e à minimização do tempo de espera em condições adequadas. O objetivo dessas normas é assegurar um abate humanitário e reduzir o sofrimento dos animais. O cumprimento dessas normas é fiscalizado pelos órgãos competentes, e o descumprimento pode acarretar em sanções administrativas e penais. Se você tem dúvidas sobre as práticas de abate ou presencia alguma situação de maus-tratos em abatedouros, pode entrar em contato com o serviço de inspeção veterinária oficial ou com organizações de proteção animal.
