
A era da desinformação: risco à democracia e aos direitos
Com a explosão do uso das redes sociais, a disseminação de fake news tornou-se um fenômeno preocupante no Brasil. O problema se agrava quando essas notícias falsas são disseminadas sob o argumento da liberdade de expressão, o que levanta um dos maiores dilemas jurídicos contemporâneos: “Mentir deliberadamente é um direito protegido pela Constituição?”
Entendendo os limites legais
A Constituição garante a livre manifestação do pensamento, mas a propagação intencional de notícias falsas, especialmente com potencial de causar pânico, dano à honra ou interferência no processo eleitoral, pode configurar crime e gerar responsabilização civil e penal. O Código Penal (art. 138 a 140) e o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) fornecem os instrumentos legais para responsabilizar autores e plataformas.
Casos reais e impacto no processo democrático
Durante as eleições de 2022, o TSE determinou a remoção de diversos conteúdos falsos que atacavam candidatos, sob pena de multa milionária. A Corte firmou entendimento de que a liberdade de expressão não abrange o direito de mentir, especialmente quando a desinformação compromete a legitimidade democrática. O STF também já se posicionou nesse sentido em ações envolvendo ataques às instituições.
O papel do cidadão e da checagem de fatos
Todos somos responsáveis pela veracidade daquilo que compartilhamos. O simples repasse de uma informação falsa, mesmo sem má-fé, pode ter efeitos devastadores e gerar responsabilização legal. Usar fontes confiáveis, checar os fatos e refletir antes de compartilhar são atitudes que valorizam o direito à informação e protegem o debate público.
Informação é poder — e responsabilidade
A liberdade de expressão deve andar lado a lado com o compromisso com a verdade. Em tempos de polarização e conflitos ideológicos, a veracidade da informação é essencial para preservar direitos fundamentais e manter a sociedade informada e livre. Quem se expressa com consciência transforma o debate e fortalece a democracia.
