Grandes empresas privadas participam direta ou indiretamente da cadeia produtiva de armamentos nucleares. Mas será que essas corporações podem ser responsabilizadas juridicamente por sua atuação?
Participação Privada no Complexo Militar-Nuclear
Empresas como Lockheed Martin, BAE Systems e Northrop Grumman fabricam componentes de mísseis, reatores e sistemas de lançamento. Muitas recebem contratos estatais bilionários, tornando-se parceiras diretas de governos com arsenais nucleares.
Essa colaboração envolve implicações éticas, políticas e jurídicas.
Direito Internacional e Responsabilidade Corporativa
O Direito Internacional Clássico não responsabiliza empresas — apenas Estados e indivíduos. No entanto, há avanço doutrinário e jurisprudencial que reconhece a responsabilidade civil e penal de empresas por violações graves de normas internacionais.
O envolvimento com armamento nuclear, sobretudo em contextos de uso ilegal, pode configurar responsabilidade por cumplicidade.
Normas Emergentes: ESG e Dever de Due Diligence
Diversos tratados e princípios — como os Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos — obrigam empresas a avaliar riscos de impactos em direitos humanos.
Produzir armas de destruição em massa pode violar esse dever, gerando responsabilidade civil e boicote internacional.
Casos de Desinvestimento e Pressão Social
Universidades, fundos de pensão e bancos têm desinvestido de empresas envolvidas com armamento nuclear. Isso tem impulsionado ações judiciais e regulatórias para investigar a cadeia de responsabilidade.
Hora de Incluir Empresas no Direito da Guerra
O Direito Internacional precisa de instrumentos que incluam expressamente empresas nas regras de armamento nuclear. Ignorar esse elo é deixar impune quem financia e lucra com a destruição.