Como a legislação brasileira trata a questão da posse de animais exóticos como pets?

A posse de animais exóticos como animais de estimação é uma questão complexa que envolve riscos para a saúde pública, para o meio ambiente e para o bem-estar dos próprios animais. No Brasil, a legislação é bastante restritiva em relação à posse de animais exóticos, visando proteger a fauna nativa e evitar a introdução de espécies que possam causar desequilíbrios ecológicos. Mas como a lei brasileira trata especificamente essa questão?

A principal norma que regulamenta a posse de animais exóticos no Brasil é a Lei nº 5.197/67 (Código de Caça), que estabelece que os animais de quaisquer espécies só podem ser criados e comercializados com a permissão expressa da autoridade competente, no caso, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Essa permissão é concedida apenas em situações específicas, como para fins de pesquisa científica, conservação ou em criadouros comerciais devidamente autorizados.

A Lei nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais) também aborda a questão da posse de animais exóticos. O artigo 29, § 1º, inciso III, pune quem adquire, guarda ou tem em cativeiro espécimes da fauna silvestre, nativa ou exótica, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente ou em desacordo com a obtida. A pena para esse crime é de detenção de seis meses a um ano, além de multa.

O IBAMA é o órgão responsável por regulamentar e fiscalizar a posse de animais exóticos no Brasil. Através de portarias e instruções normativas, o órgão estabelece as espécies que podem ser criadas em cativeiro, os requisitos para a obtenção de licenças e autorizações, e as condições de manejo e bem-estar dos animais. A posse de animais exóticos sem a devida licença é considerada ilegal e sujeita a sanções administrativas e criminais.

Em geral, a posse de animais exóticos como pets é fortemente desencorajada e, na maioria dos casos, proibida no Brasil. A legislação prioriza a proteção da fauna nativa e busca evitar os riscos associados à introdução de espécies exóticas, que podem se tornar invasoras e causar danos aos ecossistemas locais, além de representar riscos para a saúde humana e para o bem-estar dos próprios animais exóticos, que muitas vezes têm necessidades específicas difíceis de serem atendidas em um ambiente doméstico.

Existem algumas exceções muito específicas para a posse de animais exóticos, geralmente relacionadas a instituições de pesquisa, zoológicos ou criadouros comerciais autorizados. Nesses casos, a posse está sujeita a um rigoroso controle e a requisitos específicos para garantir a segurança e o bem-estar dos animais e evitar fugas ou introduções acidentais na natureza.

Se você possui ou pretende adquirir um animal exótico como pet, é fundamental verificar a legislação vigente e obter as devidas licenças e autorizações do IBAMA. A posse ilegal de animais exóticos é crime e pode acarretar sérias consequências legais. Além disso, é importante considerar os riscos e as responsabilidades envolvidas na posse de um animal com necessidades específicas e que pode representar perigos para o meio ambiente e para a saúde pública. Em caso de dúvidas sobre a legalidade da posse de um animal exótico, é sempre recomendável buscar orientação junto ao IBAMA ou a um advogado especializado em direito ambiental e animal.

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