
“Ah, mas ela está empoderada!”, “Ela já sabe o que quer” ou “É uma criança com atitude”. Essas frases, frequentemente usadas para justificar a adultização infantil, escondem uma perigosa confusão de conceitos. O que a sociedade muitas vezes interpreta como empoderamento é, na realidade, a imposição de padrões adultos sobre a criança, roubando-lhe a infância e a autonomia. A distinção entre esses dois conceitos é crucial, pois um liberta, enquanto o outro aprisiona. A adultização não é empoderamento; é a negação do direito de ser criança.
O Que É o Verdadeiro Empoderamento Infantil?
O verdadeiro empoderamento infantil não se mede por roupas de marca ou maquiagem. Ele se manifesta quando a criança tem a liberdade de expressar suas emoções, de fazer perguntas, de explorar o mundo sem medo de errar, de ter sua opinião ouvida e respeitada. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 16, garante o direito de “opinião e expressão”, e em seu artigo 18, o direito à educação para o exercício da cidadania. Empoderar uma criança é dar a ela as ferramentas para que ela seja uma adulta confiante, não para que ela seja uma criança que atua como adulta. É ensinar que sua voz importa, que seu corpo é seu e que sua identidade é única e não precisa de validação externa.
A Adultização como Forma de Submissão
A adultização, por outro lado, é a imposição de uma forma de ser que não é a da criança. Quando uma criança é incentivada a posar para fotos com conotação sensual, a usar roupas que não são para sua idade ou a ter uma rotina de trabalho, ela não está sendo empoderada. Ela está sendo subjugada aos desejos e aos padrões do mundo adulto. A adultização é uma forma de violência que nega à criança o direito à infância, à ludicidade e à espontaneidade. Ela se torna um objeto de projeção e de ambição dos pais e da sociedade, e não um ser humano com sua própria jornada de desenvolvimento.
As Consequências a Longo Prazo da Adultização Falsa
Confundir adultização com empoderamento causa sérios danos a longo prazo. Crianças que são adultizadas tendem a crescer com uma fragilidade na autoestima, pois sua identidade foi construída a partir de uma performance. Elas podem ter dificuldade em se conectar com seus pares, em se relacionar de forma saudável e em lidar com a frustração, pois nunca foram ensinadas a falhar e a aprender. O resultado é uma geração que pode ter sucesso aparente, mas que carrega consigo as cicatrizes de uma infância roubada, marcada pela ansiedade e pela necessidade de aprovação constante.
Escolher o Que Realmente Importa
É hora de usar o gatilho da verdade e reconhecer que o “empoderamento” que vende, que gera likes e que atrai atenção, é uma falsa promessa. O verdadeiro empoderamento é silencioso, construído no dia a dia, com conversas, com brincadeiras e com o respeito à individualidade de cada criança. É a única forma de garantir que ela se torne um adulto seguro, consciente e autêntico. A nossa responsabilidade é proteger a infância, e isso começa por saber a diferença entre o que realmente liberta e o que apenas aprisiona. Você está pronto para fazer essa escolha?
