
A escola é um ambiente de aprendizado e de socialização. No entanto, ela pode se tornar um palco para a adultização, onde a pressão por maturidade precoce se manifesta de forma cruel: o bullying. Crianças que insistem em se vestir de forma infantil, que gostam de brincadeiras “de criança” ou que não se enquadram no padrão “moderno” são alvos de ridicularização e de exclusão. A escola, que deveria ser um porto seguro, se transforma em um campo de batalha onde a inocência é a principal fraqueza.
A Dinâmica do Bullying e a Imposição da Adultização
O bullying, em sua essência, é uma forma de violência psicológica que visa submeter o outro a um padrão imposto pelo agressor. No contexto da adultização, o bullying é usado para forçar as crianças a abandonarem a infância e a se comportarem como adolescentes ou adultos. O bullying por não usar a roupa da moda, por ainda brincar de pega-pega ou por não ter um celular de última geração é uma forma de violência que viola o direito fundamental de ser diferente, garantido pelo artigo 15 do ECA, que assegura a liberdade e o respeito à individualidade.
A Responsabilidade Jurídica da Escola no Combate ao Bullying
A escola não pode se isentar de responsabilidade quando o bullying acontece em suas dependências. O ECA, em seu artigo 53, estabelece que a criança tem o direito a ser educada em um ambiente de respeito, e que o educador deve “trabalhar para que a criança seja respeitada”. Além disso, a Lei 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), que obriga as escolas a adotarem medidas de prevenção e de combate ao problema. A escola que não age para coibir o bullying que impulsiona a adultização está negligenciando seu dever legal e moral, e pode ser responsabilizada judicialmente por essa omissão.
O Papel do Professor e a Conscientização do Corpo Docente
O professor, o coordenador e o diretor são a primeira linha de defesa contra o bullying. É fundamental que as escolas ofereçam treinamento para o corpo docente, para que eles saibam como identificar e como intervir em casos de bullying. A escola tem o dever de criar um ambiente de inclusão, onde as diferenças são celebradas e não ridicularizadas. A educação para a empatia, o respeito e a valorização da infância são as principais ferramentas para combater a adultização e o bullying em sala de aula.
O Olhar Atento da Sociedade
O bullying na escola é um problema que a sociedade não pode ignorar. O gatilho de alerta para os pais e para a comunidade escolar é o de prestar atenção aos sinais de que a criança está sendo vítima de bullying: mudanças de humor, recusa em ir à escola ou isolamento social. A denúncia de um caso de bullying é um ato de coragem, e a escola, por sua vez, tem o dever de investigar e de agir.
A escola é o lugar onde o futuro da sociedade é moldado. É nosso dever garantir que esse ambiente seja um espaço de crescimento e de acolhimento, onde a criança possa ser livre para ser ela mesma, sem a pressão de uma maturidade precoce que a rouba de sua própria infância.
