
Quando a influência vira violação da democracia
O processo eleitoral deve garantir igualdade de condições entre os candidatos e assegurar que a vontade do povo seja soberana. No entanto, quando agentes públicos utilizam seus cargos para influenciar o resultado das eleições ou desviam recursos para beneficiar campanhas, estamos diante do abuso de poder político e econômico, condutas que violam diretamente a Constituição Federal e o princípio da moralidade eleitoral.
Esse tipo de prática compromete a legitimidade do pleito e pode levar à cassação do mandato, à inelegibilidade e até à responsabilização penal do infrator, conforme disposto na Lei Complementar nº 64/1990 (Lei das Inelegibilidades) e na Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições).
O que caracteriza o abuso de poder?
Abuso de poder político ocorre quando o agente público utiliza a estrutura estatal para favorecer determinada candidatura. Já o abuso de poder econômico refere-se à utilização de recursos financeiros em desproporção com o permitido, desequilibrando a disputa.
Exemplos práticos incluem:
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Distribuição de benefícios em troca de votos;
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Uso de bens públicos em campanha;
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Manipulação da máquina administrativa para coação eleitoral.
O artigo 14, §9º, da Constituição veda qualquer tipo de abuso que comprometa a normalidade e legitimidade das eleições.
A Justiça Eleitoral como guardiã da lisura
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem julgado inúmeros casos envolvendo abuso de poder, inclusive de governadores e prefeitos que usaram a estrutura do Estado para influenciar votos. Um exemplo emblemático foi a cassação do mandato de governadores que promoveram distribuição de combustíveis e dinheiro no período eleitoral, prática classificada como abuso de poder econômico e político.
Liberdade de escolha depende de igualdade de condições
A democracia só é real quando todos os candidatos têm condições equivalentes de concorrer. O uso indevido da máquina pública mina esse equilíbrio e coloca em risco a vontade do eleitor.
Como o cidadão pode reagir?
Denunciar práticas abusivas é um dever de todo eleitor consciente. A Justiça Eleitoral disponibiliza canais específicos para receber denúncias, e a atuação da sociedade é vital para preservar o processo democrático.
