Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte possuem armas nucleares, mas nunca aderiram (ou abandonaram) o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Isso é legal?
O TNP e Seus Limites Jurídicos
O TNP obriga seus signatários a não desenvolverem armas nucleares e, no caso das potências reconhecidas, a se comprometerem com o desarmamento. Países que não o assinaram formalmente não estão juridicamente obrigados por ele.
Contudo, sua posse nuclear colide com outras normas internacionais.
Normas Costumeiras e Responsabilidade Global
Mesmo fora do TNP, esses países estão sujeitos ao Direito Internacional Consuetudinário e ao Direito Humanitário. Qualquer uso ou ameaça de uso deve seguir os princípios da ONU e das Convenções de Genebra.
A posse em si pode ser legal internamente, mas é ilegítima em termos de segurança coletiva.
A Falta de Fiscalização e o Risco da Impunidade
Esses países estão fora do sistema de salvaguardas da AIEA, o que impossibilita verificações e auditorias. Isso representa uma brecha crítica no regime de segurança internacional.
O Caso da Coreia do Norte: Um Precedente Perigoso
A Coreia do Norte aderiu ao TNP, mas se retirou em 2003 — algo juridicamente questionável. Especialistas debatem se a saída foi válida e se o país ainda está vinculado às obrigações anteriores.
Legalidade Não É Sinônimo de Legitimidade
A posse de armas nucleares por países fora do TNP pode não ser tecnicamente ilegal, mas é politicamente perigosa e moralmente insustentável. O Direito precisa evoluir para estabelecer normas universais que não dependam de adesão voluntária.